Para UNICA, acordo Brasil-União Européia-Africa incentiva ´comoditização`dos biocombustíveis

Para UNICA, acordo Brasil-União Européia-Africa incentiva ´comoditização`dos biocombustíveis

A Iniciativa de Cooperação Trilateral Brasil-União Europeia-África, assinada na quarta-feira (14/07), abre um mercado estratégico para os biocombustíveis, em especial o etanol, colaborando para sua “comoditização”. A afirmação é do diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, que representou a entidade no 4º Encontro Empresarial Brasil-União Europeia, em Brasília, onde foi firmado o acordo. A iniciativa será focada, em um primeiro momento, na cooperação com Moçambique.

Segundo Sousa, o acordo será importante para a troca de experiências sobre modelos sustentáveis de produção e de capacitação técnica da mão-de-obra. “Moçambique apresenta forte aptidão agrícola, especialmente para a produção de culturas tropicais, como a cana-de-açúcar. Além disso, o país possui uma localização geográfica privilegiada para escoamento do combustível para a Ásia e Europa, com três portos adequados para embarque ao longo da sua costa, o que aumenta suas vantagens comparativas para a exportação do etanol,” afirmou.

Moçambique hoje importa quase todo o seu consumo de 600 milhões de litros por ano de combustíveis fósseis a um custo superior a US$ 700 milhões. Para Sousa, além de ajudar a reduzir a dependência do petróleo importado, os bicombustíveis podem se tornar uma importante alavanca de desenvolvimento rural para o país, atualmente com um predomínio de agricultura de subsistência. “A produção de etanol de cana-de-açúcar deverá se traduzir em maior geração de emprego e renda no campo, investimentos em infraestrutura e serviços, além de uma fonte alternativa e renovável de energia elétrica nas áreas rurais, pela queima do bagaço,” concluiu.

Produção sustentável na África

A declaração conjunta dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, prevê a elaboração de estudos para analisar o potencial moçambicano para o desenvolvimento de bioenergia de forma sustentável, e o impacto que a produção teria na redução da pobreza no país. A parceria também está aberta a outros países africanos que estejam interessados.

Grande parte da área geográfica de Moçambique localiza-se na mesma faixa de latitude das áreas mais competitivas de produção de cana-de-açúcar no Brasil, e apresenta características ímpares para a produção do etanol como boas condições agro-climáticas, grande disponibilidade de terras aráveis (quase 30 milhões de hectares), proximidade a um grande centro consumidor (África do Sul) e um governo com forte interesse e comprometimento com essa oportunidade de investimento.

Segundo reportagem publicada no portal de notícias europeu, Deutsche Welle, durante a assinatura do acordo, Lula afirmou que, em recente visita à África, pôde comprovar o potencial que o continente tem para a produção de energias renováveis. “Vamos reduzir a emissão de gases do efeito estufa, ajudar no crescimento do mundo em desenvolvimento mediante apoio financeiro para projetos de transferência de tecnologia limpa. E tudo isso sem comprometer a produção de alimentos”.

Com foco na promoção de negócios, o 4º Encontro Empresarial Brasil-União Europeia abordou temas como a melhoria do ambiente para investimentos diretos e o avanço das negociações sobre a liberalização comercial, além de questões setoriais nas áreas de energia e mudança do clima e na área de comunicação digital. O evento foi organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a organização empresarial europeia, Businesseurope, a Associação Industrial Portuguesa (AIP) e a Federação dos Empreendimentos da Bélgica (Federation of Enterprises in Belgium – FEB).


Fonte: Unica (20/07/2010)

Por Daniela Rodrigues - Assessoria de Imprensa da Jalles Machado S/A.