O lobby contra os subsídios ao etanol de milho nos Estados Unidos ganha força.
O deficit público norte-americano e a necessidade de corte de gastos fortalecem os argumentos contra o pagamento de US$ 0,45 feito pelo governo por galão de etanol produzido.
A vigência do subsídio termina em 31 de dezembro, mas os produtores movimentam-se para mantê-lo por mais cinco anos. O instrumento foi criado em 1978 e é constantemente prorrogado.
Mas a campanha contra a política agora tem o respaldo da Comissão de Orçamento do Congresso norte-americano (CBO, na sigla em inglês).
Em relatório divulgado na quinta-feira, a comissão estima que o subsídio significou renúncia fiscal de US$ 6 bilhões no ano passado.
O grupo também levanta dúvidas sobre a eficácia do etanol de milho na redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa, já que o processo de produção e de distribuição utiliza combustíveis à base de petróleo.
Por essa razão, ambientalistas defendem que os recursos sejam utilizados para incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias.
“É preciso refletir sobre quão estratégico o etanol é como substituto ao petróleo”, afirmou Craig Cox, vice-presidente do Grupo de Trabalho Ambiental (EWG), durante teleconferência para discutir o tema.
Para Plínio Nastari, da Datagro, esse debate pode abrir espaço para o Brasil.
Os EUA têm como meta de longo prazo atingir a produção de 136 bilhões de litros anuais de biocombustíveis. Neste ano, a produção deve ficar em 42 bilhões de litros e, caso o subsídio seja mesmo cortado, haverá menos incentivo para a produção.
E, como a atividade em etanol celulósico ainda é incipiente, os EUA podem ter de recorrer às importações.
“A posição do etanol de cana é privilegiada. Por ser mais eficiente na redução de emissão de carbono, pode complementar a produção americana”, disse Nastari.
Fonte: Folha de S. Paulo(21/07/2010)














