Canaviais do Centro-Sul devem receber R$ 5 bi este ano

Canaviais do Centro-Sul devem receber R$ 5 bi este ano

Após dois anos consecutivos de baixos investimentos, os canaviais do Centro-Sul devem voltar ao foco do setor. A estimativa é de que pelo menos R$ 5 bilhões sejam injetados neste ano para reformar uma área de cerca de 1,4 milhão de hectares de cana nos Estados do Centro-Sul – São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. O maior faturamento de usinas e de fornecedores de cana, aliado à perspectiva de que 2010 deve ser um ano de preços remuneradores para açúcar e álcool, justifica os investimentos.

Tanto usinas quanto fornecedores de matéria-prima devem investir no replantio dos canaviais, diz Ismael Perina Júnior, presidente da Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana).

A área de 1,4 milhão de hectares equivale a entre 18% e 20% da área total do Centro-Sul, que é de cerca de 7 milhões de hectares. O percentual é o ideal para renovação anual dos canaviais, mas nas últimas duas safras, não foi atingido, segundo Perina. “Acredito que outros 1,4 milhão de hectares ficaram sem renovar nas temporadas 2008/09 e 2009/10″, conta.

Além de menor índice de renovação de canaviais, afirma ele, o uso de tecnologia nos canaviais já existentes também foi reduzido. Os reflexos já começam a ser sentidos nesta safra, segundo Perina. “Há fornecedores entregando cana na usina com baixo desempenho de açúcar. Esses investimentos precisam ser feitos para que o fornecedor volte ao ciclo economicamente viável”.

O motivo da menor aplicação de recursos foi a baixa remuneração paga pela cana. Além disso, a crise mundial e a do próprio setor sucroalcooleiro contribuiu para que muitas usinas deixassem de pagar seus fornecedores.

Se os investimentos não forem feitos, diz Perina, a consequência será a escassez de cana nos próximos anos. Já há, segundo ele, indícios de carência de cana em algumas regiões produtoras do Centro-Sul. São casos pontuais, esclarece, e mais comuns nas regiões onde houve sérios problemas de inadimplência de usinas com fornecedores de cana.

Em Sertãozinho (SP), por exemplo, cidade que foi cenário da crise de uma das maiores empresas do setor, a Santelisa Vale, há relatos de escassez de oferta na região”, diz Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo). “Há usinas procurando cana na vizinhança. Mas os fornecedores estão receosos e agora só vendem com pagamento antecipado, motivo pelo qual a demanda vem sendo controlada”, diz Ortolan.

Na última safra, a 2009/10, os fornecedores de cana receberam, em média, R$ 46,35 por tonelada da matéria-prima entregue, ainda abaixo do custo de produção, que foi de R$ 53,43, mas 16% acima do realizado no ano anterior, a safra 2008/09. Com as atuais cotações em alta do açúcar e do álcool, Perina acredita que a rentabilidade por tonelada de cana neste ano voltará a subir.

Contexto

Os embarques de açúcar nos principais portos que exportam o produto permaneceram ontem suspensos pelo segundo dia consecutivo, aumentando a fila de navios que esperam para carregar a commodity, informou a Bloomberg. “Os mesmos navios que estavam atracados na terça-feira estão ainda aguardando para carregar”, disse ontem à Bloomberg uma fonte da Copersucar, a maior comercializadora de açúcar e álcool do Brasil. O número de navios em espera ontem no porto de Santos (SP) subiu de 70 para 74. Com isso, segundo levantamento da Santos Associados e da empresa Unimar Agenciamentos Maritimos Ltda. havia até ontem nos seis portos brasileiros que operam com açúcar 107 navios à espera da carga, ante os 103 do dia anterior. Em Santos, onde está o principal porto exportador de açúcar do país, começou a chover na terça-feira. Em Paranaguá (PR), onde também há uma longa fila de navios, a chuva se iniciou segunda-feira. A expectativa da Somar Meteorologia é de que o clima permaneça instável nessas regiões até o fim de semana.


Fonte: Valor Econômico (15/07/2010)

Por Daniela Rodrigues - Assessoria de Imprensa da Jalles Machado S/A.