Dilma, Marina e Serra defendem o etanol brasileiro durante evento em São Paulo

Dilma, Marina e Serra defendem o etanol brasileiro durante evento em São Paulo

Os três principais pré-candidatos a Presidência saíram em defesa do etanol brasileiro, durante entrega na noite desta segunda-feira do 1º Prêmio Top Etanol, promovido pela União Nacional da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA). José Serra, do PSDB, aproveitou o tema para atacar o governo federal e, indiretamente, a sua principal adversária, Dilma Rousseff (PT). Serra disse que o governo deveria se empenhar na luta pela unificação da alíquota do ICMS em todos os estados. E chegou a sugerir o patamar de 12%, como acontece em São Paulo.

- Em São Paulo reduzimos o ICMS para o etanol para 12%. Tentei negociar a redução com alguns estados, mas a coisa ficou muito fragmentada. O que eu acho é que o governo federal tem que se jogar nisso, ativamente, em toda essa negociação – disse ele, aplaudido, que também defendeu a criação de uma diretoria específica para cuidar de etanol na Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Ele ainda cobrou o governo em outros assuntos relacionados à produção do etanol:

- Tem que ser replicada no Brasil inteiro um marco regulatório amplo, com políticas de incentivo para o setor – disse ele, enquanto Dilma Rousseff aguardava a sua vez para falar.

O ex-governador paulista ainda criticou o que chamou de “mega sobrevalorização do Real”.

Em seu discurso, Dilma saiu em defesa do governo. Disse que o Brasil usa o que é de melhor na área de conhecimento.

- O governo do presidente Lula passou a dar uma prioridade para os biocombustíveis, especialmente o etanol, o que não era dada no Brasil durante os últimos anos. Ao tornar prioritária a questão do etanol, como sendo uma das políticas importantes, assumimos um compromisso de expandir o etanol na nossa matriz energética e ampliar a participação do etanol na matriz energética mundial – disse ela, num ataque velado ao governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

Já a candidata do PV, Marina Silva, lembrou do problema do apagão. Sem citar o governo Lula, disse que o país precisa de nova narrativa para a questão ambiental e fez um discurso voltado à necessidade de um trabalho que una questões tecnológicas com a ética.

- Eu sempre tratava da origem da contribuição da cana para o desenvolvimento do país, mas essa contribuição sempre teve o rótulo do trabalho escravo. O avanço técnico e ético do setor nos faz pensar na nova maneira de caminhar o desenvolvimento desse setor – disse ela, que bateu no ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues quando disse que um acordo que ela construiu quando era ministra do Meio Ambiente do setor não avançou por causa do colega de governo.

Os três pré-candidatos participaram do evento numa casa de espetáculos em São Paulo. Desde que começou a corrida presidencial, eles já participaram de quatro eventos desse modelo, em que respondem a perguntas, mas sem confronto entre eles. Pouco antes do evento, os pré-candidatos ouviram reclamações de empresários do setor, que pediram maior punição aos invasores de terra no país e também a necessidade de entrar em pauta, durante a campanha, a segurança jurídica nas questões trabalhistas. Eles querem definição mais objetiva do que são condições análogas à escravidão e situações degradantes de trabalho.

- Hoje a fiscalizacao é subjetiva e arbitrária – disse o presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro Sul, Ismael Perina Júnior.

Fonte: O Globo (07/06/10)

Por Daniela Rodrigues - Assessoria de Imprensa da Jalles Machado S/A.