Açúcar volta a despencar em NY em maio

Açúcar volta a despencar em NY em maio

A cotação média do açúcar voltou a despencar na bolsa de Nova York em maio, pelo quarto mês seguido. Cálculos do Valor Data com base nas médias mensais dos contratos  futuros de segunda posição de entrega do produto apontam que, desta  feita, a  retração  foi de 7,54% na comparação com abril. Das oito principais commodities negociadas pelo Brasil no exterior e referenciadas nas bolsas americanas de Nova York e Chicago, o açúcar foi a que amargou a maior retração de seu preço médio mensal.

Também foi assim em março e em abril, graças à influência da recomposição da oferta global no curto prazo, em razão da entrada na nova safra brasileira no mercado e, segundo analistas, de  fortes vendas de  fundos especulativos  – os mesmos que ajudaram o açúcar a alcançar máximas em quase 30 anos em Nova York até janeiro.

Análise  do  departamento  de pesquisas  e estudos econômicos do Bradesco,  contudo,  sinaliza  que  a  tendência pode estar perto do fim. Para os especialistas do banco, na atual temporada (2010/11) a relação entre estoques e consumo mundiais será baixa, o que poderá abrir espaço para a recuperação.

“Reforça este nosso argumento o fato de que no primeiro semestre está disponível no mercado apenas a safra brasileira, que responderá pelo acréscimo de açúcar disponível no mercado internacional, enquanto que no segundo semestre do ano entra a safra dos players [entre os quais Tailândia e Austrália] que têm grande parte da produção voltada para o mercado doméstico”, diz a análise.

Com o novo tombo, a cotação média de maio ficou 38,09% menor que a de dezembro e, na comparação com maio de 2009,  também  já aparece um  recuo de 6,87%  – o que, definitivamente, provoca alteração nas estratégias dos grupos sucroalcooleiros brasileiros. Até abril, o resultado da comparação com a média do mesmo mês do ano passado ainda
era positivo.

Das cinco commodities agrícolas transacionadas em Nova York que fazem parte do levantamento do Valor Data, o açúcar é a única que cujo preço médio do mês passado “perdeu” para o de maio de 2009. Café, suco de laranja, cacau e algodão  seguem mais  valorizados, mesmo que  os dois últimos  tenham  recuado em  relação  a abril. Na  comparação com as médias de dezembro, suco e algodão continuam com preço médio mais alto.

Em maio, como  já está se  tornando  rotina, os mercados de commodities agrícolas voltaram a ser muito  influenciadas por movimentos de  investidores derivados de  turbulências  financeiras em outras  frentes, o que  reduz, ainda que não elimine, o peso dos fundamentos de oferta e demanda na formação de preços.

Por esse  lado, contudo, as perspectivas de crescimento da economia mundial em  relação ao ano passado ainda são mais que um alento, mesmo que o ritmo desse crescimento obviamente dependa do alcance da crise europeia. “A recuperação da economia mundial influenciará a retomada dos preços internos e externos das commodities”, sustenta estu-
do da consultoria Lafis.

Intrinsecamente vinculadas a essas perspectivas por serem bases alimentares vitais, as cotações de soja, milho e trigo, negociados em Chicago, oscilaram muito mas registraram variações médias mensais relativamente modestas em maio. Para os três a oferta global permanece confortável, mas sobretudo para soja e milho o momento no campo dos funda-
mentos é de  incertezas, uma vez que as  lavouras do Hemisfério Norte ainda estão em  fase de plantio ou desenvolvimento e é cedo para saber o clima aprontará ou não das suas.

Do  trio, até agora os sinais mais confortáveis da relação entre estoques mundiais e consumo vêm da soja, e por  isso amadurece uma expectativa de que as cotações em Chicago poderão recuar mais nos próximos meses. “Aumento relevante  da  oferta,  crescimento modesto dos países desenvolvidos e diminuição  dos movimentos especulativos devem
manter o preço do produto sob pressão baixista”, diz  trabalho da RC Consultores. Soja, milho e  trigo  fecharam maio com cotações médias menores que as de dezembro e que as de maio do ano passado.

Fonte: Valor Econômico

Por Daniela Rodrigues - Assessoria de Imprensa da Jalles Machado S/A.